Tecnologia e capital humano

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Tecnologia e capital humano

Fernando Giacobo

Quando se fala em tecnologia e trabalho, as primeiras imagens que vêm à cabeça é da automação tirando empregos, as máquinas substituindo os trabalhadores.

O avanço tecnológico é um processo que ninguém pode parar e que dificilmente podemos controlar. E quem quer interromper uma evolução que traz mais eficiência, mais riqueza? E qual vantagem de tentar impor limites em algo que é fruto da criatividade e da liberdade de iniciativa?

São indiscutíveis os ganhos em produtividade e eficiência da tecnologia. O que precisamos e o que nos cabe como agentes públicos é fazer com que todos estes ganhos sejam voltados para a sociedade como um todo.

Já não é mais suficiente ter políticas de geração de incentivo ao desenvolvimento e de geração de empregos e renda. Temos de focar em desenvolvimentos sustentável do ponto de vista ambiental, social e econômico.

No campo do incentivo econômico temos de dar ênfase às inovações tecnológicas. No campo do trabalho, à formação e qualificação da mão de obra.

Neste ponto, a tecnologia e o conhecimento têm respostas para a qualificação das competências necessárias ao trabalhador de hoje e de amanhã.

Um relatório do Banco Mundial divulgado neste ano, aponta que “para conduzir o país a níveis mais elevados de renda e a uma sociedade mais equitativa, os líderes do Brasil terão de colocar os jovens no centro de uma ambiciosa agenda de reformas de políticas relativas a competências e empregos”.

O relatório analisa o processo recente. Diz que o Brasil está emergindo de uma etapa de seu desenvolvimento “em que a mão de obra era abundante e durante a qual anos de investimento público e privado sustentado proporcionaram que uma porção crescente de sua força de trabalho tivesse uma formação no nível de educação básica”.

Diz ainda que o país beneficiou-se desse dividendo demográfico – um longo período em que a parcela da população em idade ativa era substancialmente superior à de crianças e idosos dependentes. “O Brasil ainda aumentou este dividendo demográfico por meio do acesso amplo e crescente ao ensino fundamental e médio. Avanços em tecnologia também liberaram grande número de pessoas de atividades de subsistência, e elas passaram a trabalhar em formas mais produtivas de agricultura, economia rural não agrícola e empregos na indústria manufatureira e em serviços em áreas urbanas”.

As mudanças tecnológicas alteram as competências exigidas pelo trabalhador e até as ocupações sofrem mudanças constantes.

O estudo aponta caminhos e base para discussão para os especialistas em Educação e para os governos. Este conhecimento, esta tecnologia do ensino está disponível. O que nos cabe é ter a decisão de colocar esta questão do trabalho no novo mundo como prioridade.

A ficção e o imaginário estão cheios de exemplo de máquinas subjugando os humanos. O dia a dia de uma pessoa em busca de um emprego ou de um trabalhador demitido muitas vezes traz uma certa veracidade a este pesadelo.

No sentido contrário, lembramos outro estudo recente. Em outro relatório deste ano, o Banco Mundial apresenta um desafio a partir de uma análise bem diferente a máquina X trabalhador: “O capital humano é a Nova Riqueza das Nações”. Vamos investir nisso.

Fernando Giacobo, deputado federal pelo PR e 1º secretário da Câmara dos Deputados

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